Livro de Cabeceira

Cem anos de solidão

Cem anos de solidão foi escrito por Gabriel Garcia Marques na década de 60 e lançado em 1967. É considerado uma das obras-primas da literatura latino-americana, após quinze anos do lançamento desta obra, Gabriel Garcia Marques recebeu o Prêmio Nobel de Literatura (1982).

Essa narrativa do gênero Realismo Fantástico conta a história da família Buendía, condenada a “cem anos de solidão”. Assim, o leitor conhece várias gerações da numerosa família. Tudo se passa em Macondo, uma pequena cidade cheia de misticidade. A história começa com o seu fundador José Arcádio Buendía e explora a luta de todos contra a realidade cruel e excessiva à beira da destruição. O realismo mágico, as paixões, a realidade brutal e a mistura elementos, como corrupção, loucura, incesto, revoluções e acontecimentos sobrenaturais tornam a obra incomparável.

A obra é uma metáfora do isolamento e da esperança da América Latina. Desse modo, a cidadezinha Macondo seria uma alegoria da América Latina, levando em consideração aspectos como conformismo e imobilismo social. Mesmo quando a cidade é invadida pelos americanos sofrendo devastação, o povo continua inerte aos fatos apesar de sentir-se incomodado. 

“Quanto à característica de sociedade patriarcal, pois confere a José Arcádio Buendía a idealização e fundação da cidade, além de ter em sua figura admiração e respeito de todos. O nome “José” faz referência ao patriarcado, considerando que José é, na narrativa Bíblica, o marido de Maria e pai de criação de Jesus Cristo. Além disso, é a figura masculina que ilustra o início e o fim da linhagem, quando Aureliano Babilônia encontra na epígrafe, que “o primeiro da estirpe está amarrado a uma árvore (José Arcádio Buendía) e o último está sendo comido pelas formigas (filho de Aureliano Babilônia). Cem Anos de Solidão nos remete ao labirinto do Minotauro (onde nasceu o Mito do Eterno Retorno). É como se a família Buendía estivesse presa numa fortaleza, arquitetada por Melquíades, num labirinto de espelhos impossível de escapar, onde todos os caminhos levam ao centro. Cada membro da família tem traçado seu destino por um caminho, saindo de um mesmo princípio e chegando a um mesmo fim, que é o quarto de Melquíades (o centro ), onde se encontram os pergaminhos que contém encerrados em si o início e o fim de tudo” (Disponível em: http://www.latinoamericano.jor.br/paraler_cemanos.html).

A história é contada com espontaneidade e singeleza. Apresenta elementos que nos fazem lembrar histórias antigas, vilarejos, famílias e seus patriarcas, mulheres de força, segredos e paixões, causos que parecem se assemelhar, de certo modo, ao cotidiano de todos nós, latino-americanos. Parece que se tem várias histórias contadas em uma única história, são casas escuras de mulheres que resolvem ficarem trancadas por décadas, cortejos de borboletas amarelas acompanhando homens, cadáveres em comboios. Estes são apenas alguns dos elementos mais curiosos e apaixonantes de Cem anos de solidão. Ler Cem anos de solidão é uma viagem a um mundo repleto de misticidade, riqueza e inventos. Há na obra uma natureza própria da nossa gente.

Ana Maria de Souza Valle Teixeira é professora da Unopar, coordenadora do curso de Letras-EaD, escritora e mestranda em Estudos da Linguagem. E-mail: ana.valle2@unopar.br


UNOPAR - Universidade Norte do Paraná - SEPC - Sistema de Ensino Presencial Conectado - 2008 - 2009